Geraldo entrega Compaz Dom Hélder Câmara , a quarta fábrica de cidadania do Recife

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O Recife
ganha a quarta fábrica de cidadania da cidade. O Compaz Dom Helder Câmara, na comunidade do Coque, começa a funcionar já com mais de 3.600 pessoas inscritas para as atividades. O novo Compaz tem 6.324,80 metros quadrados, sendo 3.610,85 de área construída e possui piscina, quadra poliesportiva, dojô para artes marciais, sala Mãe Coruja, Espaço do Empreendedorismo, Estúdio de Rádio, TV e Fotografia e uma série de outros serviços de cidadania, cultura, esportes e lazer, seguindo o modelo de sucesso que garantiu ao Compaz o reconhecimento como melhor programa de combate à desigualdade social do Brasil, prêmio entregue em 2019 pela Oxfam Brasil, Cidades Sustentáveis.

A inauguração foi realizada em cerimônia restrita, em função dos protocolos sanitários necessários pela pandemia da covid-19, com a presença do prefeito Geraldo Julio e do governador Paulo Câmara. O investimento foi de R$ 7 milhões, sendo R$ 5 milhões da Prefeitura do Recife e R$ 2 milhões do Governo do Estado. O projeto da quarta Fábrica de Cidadania do Recife leva assinatura do arquiteto Zeca Brandão.

Inauguramos o quarto Compaz do Recife. O Compaz Dom Helder, é o Compaz da democracia e do combate à desigualdade social. A Fábrica da Cidadania, aqui no Coque, para atender todos os bairros da redondeza. A gente está muito feliz. No Brasil, só existem quatro Compaz, e os quatro estão aqui no Recife”, disse o prefeito Geraldo Julio.

É uma satisfação muito grande estar aqui hoje, nesse mês de dezembro, podendo inaugurar mais um Compaz. Esse lugar que mais uma vez está muito bonito, e que vai servir a tanta gente para fazer cidadania e vai ajudar  quem mais precisa a sonhar. É com sonhos que a gente constrói, com certeza, uma realidade melhor com trabalho, dedicação e acima de tudo com muitas e muitas parcerias”, falou o Governador Paulo Câmara.

A dona de casa Ana Lúcia, uma das primeiras moradoras da comunidade, subiu ao palco representando as famílias do Coque. “Esse projeto é maravilhoso para a comunidade, para as crianças e para os adolescentes e jamais a gente iria imaginar que um projeto tão lindo como esse ia chegar aqui na comunidade. Estou muito feliz!”, disse emocionada.

Durante a cerimônia, houve um momento de lembrança a Elzita Santa Cruz, homenageada na praça interna do Compaz e que se tornou uma grande elegia a democracia e a resistência. O seu filho Marcelo Santa Cruz leu uma homenagem escrita pela família e o jornalista e ex-preso político Marcelo Mário Melo leu uma carta manifesto assinada por 24 presos políticos ao lado de Marcelo Santa Cruz. A praça situada na área central do Compaz homenageia as mães do Recife em nome de Elzita Santa Cruz, mulher guerreira, que devotou sua vida à busca por seu filho Fernando Santa Cruz, desaparecido em 1974 pela ditadura.

Convidado para a inauguração, oempreendedor social e CEO da Gerando Falcões, Edu Lyra, que é um grande entusiasta do Compaz, também participou do evento de inauguração. “Está aqui exatamente o que significa o melhor para os mais pobres. Quando olho aquela comunidade aqui ao lado, exatamente uma comunidade como essa que eu nasci em São Paulo, eu começo a pensar que se as favelas todas do Brasil tivessem Compaz como esse, com certeza, teríamos menos violência, menos tráfico e muito mais cidadania, cultura, oportunidade, desenvolvimento e futuro. Vocês criaram aqui uma tecnologia social exemplar e de referência para o Brasil”, disse.  

COMPAZ DOM HELDER – O Compaz Dom Helder Câmara tem como carro-chefe a Biblioteca Clarice Lispector. Esta será a sexta biblioteca pública municipal da Rede de Bibliotecas pela Paz. A Biblioteca Clarice Lispector está dividida em seis espaços com capacidade para 10 mil títulos e ilha de computadores, com 10 máquinas. Destaque para a área destinada para a primeira infância, sala da Unidade de Tecnologia (UTEC), da secretaria de Educação do Recife (Seduc). A biblioteca também conta com recepção, salão principal, além das salas para a gestão do espaço e tratamento técnico dos livros. Possui 148,68 metros quadrados. A Rede de Bibliotecas pela Paz também está inserida na Secretaria de Segurança Urbana do Recife.

Neste equipamento os diferenciais são a sala do projeto Mãe Coruja, o Espaço do Empreendedorismo, a Casa da Justiça e Cidadania, os estúdios de Rádio, TV e Fotografia, e o jardim de inverno. Os bairros diretamente beneficiados, no raio de 1km, são: Ilha do Leite, Cabanga, Ilha Joana Bezerra, São José, Coelhos e Paissandú.

O novo Compaz terá uma exposição permanente sobre a vida e obra de Dom Helder Câmara. A concepção museográfica vem de exposição anterior que celebrou os 100 anos de Dom Helder e foi adaptada para eternizar o Dom da Paz. A exposição é fruto de parceria com o Instituto Dom Hélder Câmara que firmou convênio com a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Segurança Urbana.

O equipamento conta ainda com um painel do artista plástico pernambucano Ferreira em azulejo, no térreo do prédio principal. Ele relata que se inspirou no título mais associado a Dom Hélder: o de Arcebispo de Olinda e Recife. “Fiz uma homenagem às duas cidades que ele amava”, conta. O painel tem 8m de altura por 3m de comprimento.

A área externa recebeu ficaram por conta de André Maciel, que inspirado no traço de Portinari, retrata Dom Helder em situação de graça. Com ele no painel de três faces estão o Pe. Henrique e a emblemática igreja das Fronteiras. Outra obra de arte em grafite constará na caixa d’água do complexo e retrata o Dom da Paz abençoando o equipamento e seus usuários, é de autoria de Júlio Cezar, o INSANO, responsável pelas faces gigantes de Ariano Suassuna e Miguel Arraes nos respectivos Compaz.

O local situado na frente do auditório é reservado espaço de convívio e para exposições temporárias. Presta homenagem ao fiel escudeiro do “Dom da Paz” e que foi morto durante a ditadura como forma de fazer calar sua luta, o Padre Henrique. Na abertura do equipamento acolherá a Exposição 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos de autoria do coletivo

A arquitetura singular do prédio permitiu a reserva, bem no centro do espaço do prédio principal, para um “jardim de inverno”. Simbolicamente representa a centralidade do tema do meio ambiente no discurso e luta de DHC. Homenageia as mães em nome de uma das mães mais emblemáticas de Pernambuco, Dona Elzita Santa Cruz, que devotou sua vida à busca por seu filho Fernando Santa Cruz, desaparecido pela ditadura.

 

REDE COMPAZ – Além do Compaz Dom Hélder Câmara (Coque) existem mais três Centros Comunitários da Paz em funcionamento no Recife. O Compaz Governador Eduardo Campos (Alto Santa Terezinha) foi inaugurado em 16 de março de 2016. O Compaz Escritor Ariano Suassuna (Cordeiro) abriu suas portas em 27 de março de 2017. Em 26 de dezembro de 2019 foi a vez do Compaz Governador Miguel Arraes (Caxangá). Os três equipamentos já em funcionamento somam mais de 40 mil pessoas cadastrados.

Além dos quatro equipamentos, já está em andamento a licitação para a construção do Compaz Educador Paulo Freire, no Ibura e existem projeto com recursos garantidos para mais duas unidades, uma no Pina e outra na Várzea, aguardando liberação do Governo Federal.

HOMENAGEADOS

DOM HELDER CÂMARA (Compaz) – (1909-1999) bispo católico e arcebispo emérito de Olinda e Recife. Ficou conhecido internacionalmente pela defesa dos direitos humanos. Recebeu diversos prêmios, entre eles, o Prêmio Martin Luther King, nos Estados Unidos e o Prêmio Popular da Paz, na Noruega. Dom Hélder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza, estado de Ceará, no dia 07 de fevereiro de 1909. Filho de João Eduardo Torres Câmara Filho, jornalista e bibliotecário, e da professora primária, Adelaide Pessoa Câmara. Com 14 anos de idade Dom Helder entrou no Seminário da Prainha de São José, em Fortaleza, onde também cursou Filosofia e Teologia. Em 15 de agosto de 1931, com 22 anos, Dom Hélder Câmara foi ordenado sacerdote, com a autorização da Santa Sé, pois não completara a idade mínima para ordenação, que era de 24 anos. No dia seguinte celebrou sua primeira missa. Em 1936, Dom Hélder Câmara foi nomeado diretor do Departamento de Educação do Estado do Ceará, onde permaneceu por cinco anos. Foi um dos organizadores da Ação Católica que atuava junto às pessoas carentes. Em 1950, Dom Hélder apresentou seu plano ao Monsenhor Montini (que viria a ser o Papa Paulo VI, em 1963) para fundar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 1952, foi transferido para o Rio de Janeiro, onde permaneceu durante 28 anos. Nessa época desenvolveu diversas obras sociais. Fundou a Cruzada São Sebastião e o Banco da Providência, com o objetivo de atender os mais necessitados. Exerceu funções na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e no Conselho Nacional de Educação. Foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Foi nomeado secretário geral da CNBB, onde organizou congressos para adaptação da Igreja Católica aos tempos modernos e a integração da Igreja na defesa dos direitos humanos. Permaneceu no cargo até 1964. Em 1962, Dom Hélder participou das reformas de base do governo João Goulart. Em 12 de abril de 1964, pouco antes do golpe militar, Dom Hélder Câmara foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Foi secretário da Ação Social entre 1964 e 1968. Além das atividades pastorais de sua Arquidiocese Dom Hélder atuou em movimentos estudantis, operários e ligas comunitárias contra a fome e a miséria. Teve significativa participação contra o autoritarismo praticado pelos militares durante a ditadura militar. Após escrever um manifesto de apoio à ação católica operária, foi acusado de comunista, sendo proibido de se manifestar publicamente. Na madrugada de 26 para 27 de maio de 1969 o assessor de Dom Hélder, o padre Henrique, foi preso e torturado até a morte – posteriormente, a COMISSÃO DA VERDADE DE PERNAMBUCO atesta o Regime Militar tramou essa morte para atingir o Arcebispo. Nesse mesmo ano, Dom Hélder recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Saint Louis, nos Estados Unidos. Em 1970, em um pronunciamento em Paris, Dom Hélder denunciou a prática de tortura e a situação dos presos políticos no Brasil. Em 1972, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Dom Hélder Câmara criou organizações pastorais em prol da valorização dos pobres, criou projetos para atender as comunidades do Nordeste, que viviam em situação de miséria. Publicou 23 livros, sendo 19 deles traduzidos para 16 idiomas. Ao todo foram 716 títulos de homenagens e condecorações. Em 1985 Dom Hélder foi substituído pelo bispo conservador Dom José Cardoso, porém continuou atuando em favor dos pobres. Em 1991, iniciou um movimento contra a fome. No final da década de 90, com o apoio de diversas instituições filantrópicas, lançou oficialmente a campanha “Ano 2000 Sem Miséria”. Dom Hélder Câmara faleceu na cidade do Recife, no estado de Pernambuco, no dia 27 de agosto de 1999, de parada cardíaca.

CLARICE LISPECTOR (Biblioteca) – O espaço símbolo do livro e da literatura irá homenagear a escritora Clarice Lispector no ano do seu centenário (2020). Clarice Lispector (1920-1977) foi um dos maiores nomes da literatura brasileira do Século XX. Com seu romance inovador e com sua linguagem altamente poética, sua obra se destacou diante dos modelos narrativos tradicionais. Clarice Lispector nasceu na aldeia de Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920. Era filha de Pinkouss e Mania Lispector, casal de origem judaica que fugiu de seu país diante da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa. Ao chegarem ao Brasil, fixaram residência em Maceió, Alagoas, depois, a família mudou-se para a cidade do Recife, onde Clarice passou sua infância no Bairro da Boa Vista. Aprendeu a ler e escrever muito nova e logo começou a escrever pequenos contos. Foi aluna grupo escolar João Barbalho e do Ginásio Pernambucano. Era frequentadora assídua da biblioteca.

 

GENETON MORAES NETO (Auditório) – Nascido no Recife, em 1956, foi jornalista e cineasta. Iniciou a carreira como repórter ainda adolescente, no suplemento infantil Júnior, do Diário de Pernambuco, no início dos anos 1970. Geneton trabalhou na sucursal Nordeste de O Estado de S. Paulo, entre 1975 e 1980, na Rede Globo de Televisão a partir de 1985, tendo sido editor do Jornal da Globo e do Jornal Nacional, e posteriormente correspondente da GloboNews e do jornal O Globo na Inglaterra. Foi ainda editor-chefe do programa dominical Fantástico. Em paralelo ao trabalho jornalístico, foi responsável por uma importante produção no campo do audiovisual. A partir de 1973, passou a realizar curtas em Super-8, por influência e incentivo do crítico pernambucano Fernando Spencer. Até 1984, realizou curtas em Pernambuco, no Rio de Janeiro, na Itália e na França, sempre experimentais, baseados em textos poéticos, e explorando a imagem estourada da bitola super-8. Faleceu em 22 de agosto de 2016 em função de um aneurisma na artéria aorta.

ELZITA SANTA CRUZ (Praça Central) – A arquitetura singular do prédio principal do Compaz tem em seu centro área verde, um jardim que representa a centralidade e atualidade do tema do meio ambiente no discurso e luta de Dom Helder.  A praça homenageia as mães do Recife em nome de Elzita Santa Cruz, mulher guerreira, que devotou sua vida à busca por seu filho Fernando Santa Cruz, desaparecido em 1974 pela ditadura. Ao longo de quatro décadas, ela cobrou notícias em quartéis, gabinetes de presidentes e de outras autoridades e junto às organizações de direitos humanos, inclusive do exterior, sempre insistindo com a frase: “Onde está meu filho?”. Essa pergunta dá nome a um livro, lançado em 1984, onde há o relato da luta de Elzita. A espera pelo filho fez com que ela não mudasse de casa e mantivesse o número de telefone. Manteve, também, o quarto de Fernando. Dona Elzita dizia que não tinha ânsia de encontrar quem matou Fernando; queria o direito de enterrá-lo. “É uma dor muito grande porque o único crime que ele [Fernando] cometeu foi defender a igualdade social, essas coisas pelas quais eu luto até hoje”. Seu exemplo representa o poder do amor materno para transformar o mundo.  Dona Elzita faleceu em junho de 2019, aos 105 anos, após 45 anos de buscas pelo filho desaparecido.

PADRE HENRIQUE (Parque de Exposições) – O espaço para exposições do térreo presta homenagem ao fiel escudeiro do “Dom da Paz”, morto pela ditadura como forma de tentar fazer calar sua luta. Na Galeria Pe. Henrique os usuários do Compaz terão acesso a atividades culturais através de exposições e instalações, que reforçam o poder da arte como forma de formar cidadãos. Será um espaço de convívio aberto à comunidade. O Padre Antonio Henrique Pereira Neto, nasceu no Recife, no dia 28 de outubro de 1940, filho de José Henrique Pereira da Silva Neto e Isaíras Pereira da Silva. Sociólogo e professor, ordenou-se em 1965, na Igreja da Torre, e dedicou-se ao trabalho de orientação a jovens, na Arquidiocese de Olinda e Recife. Padre Henrique além de prestar assistência à juventude, manteve contato com estudantes cassados e era claramente contrário aos métodos de repressão utilizados pela ditadura militar. Na noite do dia 26 de maio de 1969, então com 28 anos de idade, Padre Henrique foi sequestrado, depois de participar de uma reunião com um grupo de jovens católicos, no bairro de Parnamirim, no Recife. No dia seguinte, foi encontrado morto com marcas de tortura em um matagal na Cidade Universitária.

 

CEL. JONAS BARBOSA (Área Esportiva) – Jonas Félix Barbosa nasceu no dia 6 de junho de 1966 em Itamaracá, Pernambuco. Em 1985, após prestar concurso público, ingressou na Academia de Polícia Militar do Paudalho para fazer o curso de formação de oficiais tendo sido declarado Aspirante-a-oficial em dezembro de 1987. Galgou todos os postos até ser promovido ao último posto da carreira, Coronel PM. Sua formação acadêmica foi na área do esporte tendo-se graduado em Educação Física e pós-graduado na ciência do esporte além de vários outros cursos na área. Graduou-se também na conceituada Escola de Educação Física do Exército (ESEFEX) na cidade do Rio de Janeiro. Era um entusiasta do esporte e suas modalidades preferidas eram o tiro ao alvo e o handebol. Seus amigos e colegas de farda o descrevem como uma pessoa sempre alegre, gentil e preocupado em ajudar l semelhante quer conhecesse ou não. Era um ser humano admirável. Serviu por 33 anos na Polícia Militar e foi altamente condecorado com medalhas e honrarias. No dia 28 de setembro de 2020, com apenas 54 anos, o Coronel Barbosa nos deixou, após complicações numa cirurgia para retirada de um aneurisma na aorta. Deixou filhos e muitos amigos e admiradores. Fez a diferença por onde passou.

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