
Imagine o que é você decidir sair da casa com uma família que lhe acolheu quando você mais precisava, tentar remediar deixando outra pessoa no lugar, e ainda achar que tudo vai continuar como era antes? A saída da governadora Raquel Lyra do PSDB para o PSD pode marcar mais uma derrota atribuída à sua articulação política.
A sensação que alguns interlocutores passam é de que a governadora soube entrar, mas não soube sair. Tanto que a direção nacional do partido, que sempre a recebeu de braços abertos no passado, deixou o diretório estadual sob o comando de um aliado que segue defendendo a sigla em Pernambuco e no Brasil, o presidente da Assembleia Legislativa (Alepe), Álvaro Porto.
Raquel ainda fez um movimento arriscado, que foi o de filiar o quadro mais importante do seu time, a vice-governadora Priscila Krause. Este deve ter sido o recorde de filiação de uma liderança pernambucana a uma sigla: chegou e desfez as malas em menos de 30 dias. Para muitos, a impressão é de que o Governo calculou mal o movimento, expondo prefeitos e a própria vice-governadora.
Depois da vitória histórica da oposição nas comissões na Assembleia – e de ver o MDB, o Republicanos, o Solidariedade e o União Brasil subirem ao palanque reafirmando compromisso com a Frente Popular -, Raquel Lyra pode ter aberto as portas do seu ex-partido para uma interlocução com o prefeito João Campos, líder absoluto em todas as pesquisas já feitas para o estado.
Uma saída em massa, dentro de um prazo tão curto, pode se tornar um novo marco na política pernambucana. Já pode ser vista como a sacramentação de uma nova derrota de Lyra na política. Agora é aguardar os próximos capítulos. Ao que parece, 2026 já começou.






















