A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou, nesta segunda-feira (1º), uma audiência pública para discutir a grave crise enfrentada pelo setor canavieiro no Estado e em todo o Nordeste. O encontro, conduzido pelo presidente da Comissão de Agricultura, deputado Luciano Duque, foi convocado após solicitação do deputado Antônio Moraes.
O diagnóstico apresentado pelos participantes aponta para o cenário mais crítico da história do segmento. A combinação entre a queda acentuada do preço da matéria-prima, o aumento dos custos de produção, os impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a seca severa — que compromete tanto o canavial atual quanto o da próxima safra — tem provocado prejuízos generalizados, atrasos em pagamentos e risco de forte retração econômica na Zona da Mata.
Diante da crise, foram defendidas medidas emergenciais, como subvenção por tonelada produzida, linhas de crédito específicas para custear a próxima safra, apoio urgente a usinas e fornecedores e ações imediatas para mitigar os efeitos da estiagem. Luciano Duque propôs reunir todas as sugestões em um documento a ser apresentado diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita Pernambuco nesta terça-feira (2). As propostas também integrarão o relatório oficial da Comissão, que será encaminhado ao Governo do Estado, à bancada federal e a órgãos competentes.
“Essa cadeia produtiva sustenta milhares de famílias na Zona da Mata e precisa de respostas imediatas. Nosso dever é transformar esse debate em ações concretas”, afirmou Duque.
O deputado Antônio Moraes, autor da convocação, explicou que foi procurado por dirigentes do setor — como os presidentes do SINDAÇÚCAR/PE, da AFCP e do SINDICAPE — diante da gravidade da situação. Ele ressaltou que o objetivo da audiência foi construir encaminhamentos práticos para apresentar à governadora Raquel Lyra. “Precisamos apresentar soluções que sejam interessantes para todos, como num jogo de ‘ganha-ganha’. Nem o setor canavieiro, nem os trabalhadores, nem o governo podem sair perdendo”, destacou.
O debate reuniu representantes de diversas entidades e reforçou o caráter histórico, social e econômico da cana-de-açúcar para Pernambuco. O presidente da FAEPE, Pio Guerra, lembrou que a atividade representa um patrimônio cultural do Estado. Já o presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, enfatizou o risco de colapso caso não haja medidas urgentes. “A cana é um patrimônio produtivo vivo. Se esse ativo morre, a recuperação não se faz em meses, mas em anos”, alertou.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Cana de Palmares, Givanildo Marques, defendeu a retomada da subvenção criada em gestões anteriores, e o cofundador da UNICA, Gregório Maranhão, destacou que, mesmo em queda, o setor ainda pode gerar cerca de R$ 180 milhões para Pernambuco nesta safra.
Também participaram da audiência representantes do SINDAÇÚCAR/PE, AFCP, SINDICAPE; a secretária executiva de Agricultura, Jackeline Gadé; o deputado federal Coronel Meira; e os deputados estaduais Nino de Enoque, France Hacker, Henrique Queiroz Filho e Doriel Barros. Todos defenderam a união institucional para impedir o colapso definitivo da cadeia produtiva.


























