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Alepe participa de ato que marca uma década da epidemia de microcefalia em Pernambuco

Deputado estadual Gilmar Júnior (PV) – Foto: Giovanni Costa

O mês de maio marca os dez anos dos primeiros casos de microcefalia causados pela infecção do Zika Vírus em Pernambuco, episódio que afetou profundamente a vida de centenas de famílias no estado. Para lembrar a data e reforçar a luta por direitos e dignidade, a União de Mães de Anjos (UMA) realizou, nesta segunda-feira (27), um culto ecumênico no Shopping Tacaruna, reunindo familiares, crianças e apoiadores da causa.

A solenidade contou com o apoio institucional da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), representada pelo deputado Gilmar Júnior, que preside a Comissão da Pessoa com Deficiência e Atipicidades. O parlamentar participou do evento em nome do presidente da Casa, deputado Álvaro Porto.

É extremamente importante ter a Assembleia Legislativa envolvida neste evento por se tratar de uma iniciativa que destaca a importância dessas mães atípicas num cuidado que elas precisaram aprender diante de uma pandemia internacional. Essas mães tiveram de encontrar estratégias adequadas ao cuidado com seus filhos diante de um Estado que sequer sabia como lidar com essa situação. São dez anos de dificuldades, de falta de assistência, de falta de conhecimento e de falta de estrutura para receber essas crianças. A Comissão da Pessoa com Deficiência e Atipicidades da Alepe acolhe essas mães e participa desse evento com muito entusiasmo”, destacou o deputado Gilmar Jr.

Foto: Giovanni Costa

A cerimônia religiosa reuniu mães, pais, crianças e apoiadores, que compartilharam histórias, emoções e fortaleceram laços construídos ao longo da última década. A presidente da UMA, Germana Soares, reforçou que as demandas permanecem as mesmas desde o início da crise.

É importante lembrar à sociedade que essas crianças estão aqui, após dez anos, e por incrível que pareça ainda lutamos pelas mesmas necessidades. Precisamos muito de qualidade de vida, de dignidade e de condições para proporcionar o melhor para essas crianças. Nossos filhos ficaram dessa forma por uma irresponsabilidade do Estado brasileiro. Não é justo que nós mães arquemos sozinhas com essa responsabilidade. Continuaremos lutando para que nossos filhos tenham uma reparação justa, com atendimento adequado e suficiente”, disse Germana.

Gleyce Kelly Santos, mãe de Maria Giovana, também participou do culto e reforçou o papel de resistência que a celebração representa.

“Nossa luta é pelo sistema, por atendimentos em hospitais, por consultas e terapias, uma luta para tirar nossos filhos da desnutrição, uma luta por amor aos nossos filhos. Que Deus nos permita que a gente tenha força pra continuar porque ainda tem muita coisa para ser conquistada”, completou.

Audiência pública e homenagens

Na próxima sexta-feira (30), às 10h, a Comissão da Pessoa com Deficiência e Atipicidades realizará, no auditório Sérgio Guerra, a audiência pública “Dez anos da União de Anjos em Pernambuco – Uma Década de Resistência”. A cerimônia vai prestar homenagens a pessoas e instituições que contribuíram com a causa ao longo da última década.

A gente vai discutir os dez anos da UMA, essa entidade que chega para Pernambuco como algo inédito. Ela conseguiu juntar os conhecimentos possíveis para lutar por crianças com microcefalia. É uma entidade cujo trabalho tem repercussão nacional e internacional. Discutir o que essas mães viveram nesses últimos dez anos é o objetivo da nossa audiência pública”, informou o deputado Gilmar Jr.

A comissão também tem como missão promover a acessibilidade e garantir que pessoas com deficiência ou atipicidades tenham acesso à Justiça e à reparação de danos, sejam eles morais, patrimoniais, individuais ou coletivos. A inclusão do termo “atipicidades” no nome do colegiado amplia sua abrangência, incluindo condições como o autismo, transtornos de aprendizagem e outras neurodivergências.

Avanços legislativos

Nos últimos anos, a Alepe aprovou legislações importantes voltadas para as famílias afetadas pela microcefalia. Entre elas, está a lei que garante prioridade na abertura de micro e pequenas empresas a representantes legais de dependentes com deficiência, além da reserva de vagas em programas habitacionais para famílias de baixa renda com filhos nesta condição.

Outro marco é a lei que estabelece prioridade nos serviços de saúde pública para pessoas com microcefalia, reforçando o compromisso do Legislativo estadual com a reparação e inclusão.

Leticia Lima

Jornalista diplomada pela Uninassau

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