
Deputado estadual Álvaro Porto – Foto: Roberto Soares/ALEPE
Em discurso contundente na tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), nesta terça-feira (13), o presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (PSDB), acusou o governo Raquel Lyra (PSD) de manipular estatísticas para criar uma “realidade fictícia” sobre a violência no estado. Segundo ele, há um descompasso entre os números divulgados oficialmente e o cotidiano vivido pela população.
“Subimos hoje a esta tribuna para dar voz aos pernambucanos e pernambucanas que vivem uma realidade fictícia construída a partir do controle das estatísticas da violência em Pernambuco pelo governo do estado”, afirmou.
Porto criticou duramente o uso de dados para fins publicitários, sem reflexo na melhoria da segurança. “A fantasia serve para gerar manchetes, produzir comparativos e incrementar propaganda de TV e Internet. Porém, na vida real, o quadro é bem outro”, disparou.
Citando dados recentes, o presidente da Alepe apontou que apenas no último fim de semana foram registrados 26 assassinatos. “A verdade é que as famílias pernambucanas estão sendo obrigadas a viver sob um clima de terror e enfrentar o luto pelos seus mortos.”
O parlamentar destacou ainda o aumento alarmante dos feminicídios: 35 mulheres foram assassinadas por razão de gênero entre janeiro e abril deste ano — mais que o dobro do mesmo período de 2024. “O estado é o promotor deste contexto desesperador que está matando as mulheres”, enfatizou.
O presidente da Alepe também fez menção à precariedade das estruturas policiais, denunciando o déficit de mais de 220 delegados e o colapso nas condições de trabalho. “Os policiais não podem fazer milagres. As precárias condições de trabalho implicam diretamente nos resultados”, disse, ao mencionar também problemas graves no Hospital da Polícia Militar, como mofo e risco de desabamento.
Em tom crítico, ele questionou a tentativa do governo de transferir o 20° Batalhão da Polícia Militar de São Lourenço da Mata para Camaragibe, sem consulta prévia à gestão municipal. “Moradores e gestor foram, como tantos outros, desprezados sem cerimônia alguma”, acusou.
Ao encerrar, Álvaro Porto lamentou o que considera a desconexão entre a retórica governamental e a realidade das ruas: “Hoje a realidade das ruas e os registros da imprensa contradizem diariamente o cenário elaborado pelo governo a partir de um marketing fantasioso. O que se tem concreto mesmo nesta área é um governo que segue sem cumprir o que prometeu, desvalorizando o luto e a dor dos familiares dos mortos.”
De acordo com o deputado, “segurança não se faz com narrativas e números maquiados, mas com planejamento, policiamento, inteligência e estrutura”.

























