As eleições das últimas quatro comissões da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) que ainda estavam sem direção adicionaram mais um revés à governadora Raquel Lyra (PSDB), que vê sua base perder o controle de importantes colegiados. Nesta terça-feira (25), o líder da oposição, deputado Diogo Moraes (PSB), foi eleito para presidir a Comissão de Redação Final. Com a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) também sem um aliado no comando, o governo estadual se encontra em uma situação inédita, com opositores dominando as comissões responsáveis pelas portas de entrada e saída dos projetos no Legislativo estadual.
A CCLJ, que desempenha papel fundamental ao aprovar as proposições antes que sigam para outras comissões, tem como presidente o deputado Coronel Alberto Feitosa (PL), crítico da gestão de Raquel Lyra. Seu vice, o deputado Edson Vieira (União Brasil), também integra uma ala de oposição ao governo. Isso significa que, mesmo com a possível ausência do presidente, a bancada governista não terá condições regimentais de interferir na pauta da CCLJ. No biênio anterior, mesmo com um aliado no comando da comissão, o governo enfrentou dificuldades nas tramitações de proposições estratégicas.
Na Comissão de Redação Final, o cenário se repete. Diogo Moraes presidirá a comissão, e seu vice será o deputado Gilmar Jr. (PV), também oposicionista. Essa comissão tem a responsabilidade de consolidar os textos dos projetos antes da sanção ou promulgação. Em outras duas comissões, os presidentes e vice-presidentes também não são aliados do governo: Finanças, Orçamento e Tributação, presidida por Antonio Coelho (União Brasil), e Administração Pública, presidida por Waldemar Borges (PSB), com Antonio Coelho ocupando a vice-presidência.
Além das comissões de Redação Final e Administração Pública, o PSB, maior partido de oposição na Alepe, preside outras comissões importantes, como Saúde e Assistência Social, Ciência, Tecnologia e Inovação, e Defesa dos Direitos da Mulher. Outras cinco comissões estão sob controle de partidos como PSOL e Republicanos, que também integram a oposição, ou siglas independentes com maioria contrária ao governo, como PL e União Brasil. Ao todo, os opositores comandam 11 das 18 comissões, criando um cenário de minoria para a base governista, justamente em um momento crucial para a tentativa de reeleição da governadora em 2026.


























