Os técnicos de enfermagem da rede Hapvida seguem em greve e voltam às ruas nesta segunda-feira (27), em uma mobilização para alertar a sociedade e a justiça sobre os mais de 100 dias de paralisação. Organizado pelo Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem de Pernambuco (Satenpe), o ato será realizado em frente ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 6ª Região, no Recife, a partir das 9h. Durante o protesto, os manifestantes solicitarão uma reunião com representantes do tribunal para discutir o cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que prevê o pagamento do piso salarial da categoria conforme a Lei 14.434/2022.
A greve teve início em 17 de outubro de 2023. No dia 29 do mesmo mês, o Pleno do TRT da 6ª Região declarou, por unanimidade, que o movimento paredista não é abusivo e determinou que a Hapvida cumpra a CCT firmada em audiência de conciliação com o Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde e Laboratórios de Pesquisa e Análise Clínicas do Estado de Pernambuco (Sindhospe). O acordo foi mediado pelo próprio TRT e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em julho de 2023. A decisão também garantiu que não haja descontos salariais pelos dias de paralisação dos trabalhadores que aderiram à greve.
Em novembro, a ministra Kátia Magalhães Arruda, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), rejeitou o pedido cautelar da Hapvida, mantendo a decisão do TRT da 6ª Região que considerou a greve legal. Entre as reivindicações da empresa, estava a exigência de manutenção de 80% do efetivo em atividade durante a greve, mas o percentual foi fixado em 50% pelo TRT.
O movimento dos técnicos de enfermagem busca pressionar pela aplicação do piso salarial e por melhores condições de trabalho.
“Com muita resiliência e consciência de classe, os Técnicos de Enfermagem estão cobrando os seus direitos há mais de 100 dias, escancarando como a Hapvida, considerada uma das principais empresas hospitalares do Nordeste, trata desrespeitosamente os seus colaboradores. Se não bastassem esses problemas, recebemos casos de assédio dentro do ambiente de trabalho e demissões durante esse período de greve. Continuaremos mobilizados até que o piso da enfermagem seja uma realidade no contracheque de cada Técnico de Enfermagem”, assegurou o presidente do Satenpe, Francis Herbert.
Segundo Francis, apesar de algumas tentativas de diálogo por parte do sindicato com a Hapvida, a empresa se nega a pagar o que ficou acordado em mediação com o TRT da 6ª Região e com o MPT. “O nosso ato é para reivindicar o cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho e alertar as irregularidades que estão ocorrendo contra os profissionais. Nossa categoria merece respeito”, concluiu.


























