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Política

Câmara avança na proteção de meninas vítimas de violência sexual com relatoria de Clarissa Tércio

A Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados aprovou na última quinta-feira (29) um projeto de lei que garante a meninas vítimas de violência sexual o direito de serem atendidas por profissionais mulheres durante exames periciais. A proposta, relatada pela deputada federal Clarissa Tércio, representa um avanço no acolhimento e na proteção das vítimas.

O texto aprovado assegura que, sempre que houver disponibilidade e sem prejuízo à investigação, o atendimento seja realizado por profissional do sexo feminino. A medida busca combater a chamada “revitimização”, fenômeno em que a própria estrutura de atendimento impõe novo trauma à vítima no momento em que ela deveria receber proteção e acolhimento.

Para Clarissa Tércio, a aprovação fortalece a rede de proteção e humaniza o atendimento às vítimas mais vulneráveis.

“A vítima já chega profundamente abalada. Garantir um ambiente de acolhimento, confiança e respeito é essencial para que ela consiga seguir com o tratamento e colaborar com a investigação”, destacou a parlamentar.

A iniciativa ganha ainda mais relevância diante de crimes bárbaros recentes registrados no país. Em São Paulo, duas crianças de 7 e 10 anos foram vítimas de estupro coletivo após serem atraídas por criminosos sob o pretexto de soltar pipa. As investigações apontam que os abusos foram filmados e divulgados, além de haver tentativa de intimidação da família para impedir a denúncia. Dos cinco envolvidos no crime, quatro são menores de idade.

Casos como esse escancaram não apenas a crueldade dos autores, mas também o debate sobre a resposta do ordenamento jurídico diante de crimes hediondos, inclusive quando praticados por adolescentes.

Diante desse cenário, Clarissa Tércio defende o endurecimento das leis e a responsabilização efetiva dos autores de crimes violentos.

Não podemos mais tolerar a impunidade. Crimes dessa natureza exigem respostas firmes do Estado. É preciso avançar na redução da maioridade penal para crimes hediondos. Quando um adolescente é capaz de estuprar, filmar e intimidar famílias, ele não pode ser tratado pelo sistema como se fosse uma vítima da sociedade. A sociedade exige justiça e nós temos a obrigação de entregá-la”, afirmou a deputada.

A parlamentar reforçou que as duas pautas são complementares: acolher as vítimas com dignidade e garantir que os autores respondam de forma proporcional à gravidade dos crimes.

“Proteger as vítimas e punir os culpados não são agendas opostas, são as duas faces da mesma responsabilidade do Estado com a segurança das nossas crianças”, concluiu Clarissa Tércio.

Leticia Lima

Jornalista diplomada pela Uninassau

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