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Deputados vão acionar MPPE e Polícia Civil para investigar contrato bilionário de publicidade do Governo Raquel Lyra

Deputados acionam MPPE e Polícia Civil para investigar contrato bilionário de publicidade do Governo Raquel Lyra

Deputados da bancada de oposição na Assembleia Legislativa (Alepe) anunciaram, nesta quinta (31), em entrevista coletiva, que vão acionar o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a Polícia Civil para que apurem supostas irregularidades na escolha das agências responsáveis pela publicidade institucional do Governo de Pernambuco. A medida será adotada após vir à tona o vínculo entre um primo da governadora Raquel Lyra (PSD) e uma das empresas vencedoras da licitação. O contrato é de R$ 1,2 bilhão em dez anos e chegou a ficar suspenso por um mês devido às suspeitas de vícios no processo.

A entrevista foi concedida pelos deputados Rodrigo Farias (PSB), Sileno Guedes (PSB), Waldemar Borges (PSB), Junior Matuto (PSB), Cayo Albino (PSB) e Romero Albuquerque (União Brasil). Os parlamentares justificam o acionamento do MPPE e da Polícia Civil como necessário por conta do surgimento de indícios posteriores a uma auditoria especial iniciada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 19 de junho. Um deles foi um dossiê remetido à corte em 10 de julho, com cópia para os deputados, indicando favorecimento à agência E3 Comunicação Integrada, uma das vencedoras da licitação.

Ao se instalar no Recife depois de contratada pelo Governo do Estado, a empresa, que é de São Paulo, alugou salas que pertencem ao empresário Waldemiro Teixeira, primo da governadora Raquel Lyra (PSD). De acordo com os parlamentares, a denúncia, encaminhada de forma anônima à corte, aponta indícios direcionamento, conflito de interesse e improbidade administrativa, tendo em vista que, além da ligação com a governadora, “É espantoso ver indícios de uso familiar da máquina pública numa licitação bilionária. O povo quer respeito com o dinheiro que paga em imposto. A Alepe está atenta, e o que for necessário será feito pra investigar. Se tiver coisa errada, tem que vir à tona”, declarou o deputado Junior Matuto, acrescentando que a formalização da denúncia junto ao MPPE e à Polícia Civil será feita nos próximos dias diante do risco de consumação das supostas irregularidades e de prejuízos aos cofres públicos.

É a primeira vez na história de Pernambuco que se tem um contrato de publicidade num tempo longo, de dez anos, e de um alto valor, R$ 1,2 bilhão. E um contrato cheio de suspeitas e com o envolvimento do primo da governadora. Então é importante que seja apurado detalhadamente, pois Pernambuco merece respeito e transparência nos gastos públicos”, disse o vice-presidente da Alepe, deputado Rodrigo Farias. “A fantástica quantia de R$ 1,2 bilhão para cobrir um contrato de dez anos, por si só, já chama a atenção. Mas o que trazemos aqui são alguns indícios que apontam para uma relação de um primo da governadora com a empresa que venceu a licitação”, complementou o deputado Waldemar Borges.

Segundo o deputado Sileno Guedes, a complexidade do caso e as altas cifras envolvidas demandam a abertura de novas frentes de investigação. “Essa licitação vem enfrentando problemas desde o início. Foi concluída após quase um ano, em meio a muitos questionamentos. Mas ainda não se sabia que um primo da governadora estava sendo supostamente beneficiado por uma subcontratação de uma das agências vencedoras. É grave, acreditamos que será considerado pelo TCE em sua auditoria especial e entendemos ser importante que outras instâncias também se somem à apuração”, afirmou.

As suspeitas apresentadas pelos deputados se somam a uma denúncia que já havia sido levada ao TCE, no fim de junho, pela agência RXZ Comunicação. A empresa alegou que, na sessão pública que averiguou as propostas das concorrentes na licitação, houve alterações nos cálculos de pontuações que já tinham sido divulgadas e indícios de troca de informações privilegiadas entre membros da comissão julgadora e entes externos. Também foi apontada a falta de apresentação de justificativas das notas por cada membro da subcomissão técnica do processo. As supostas irregularidades chegaram a ser questionadas pelo Sindicato das Agências de Propaganda de Pernambuco (Sinapro-PE) e estão sendo apuradas pelo TCE.

Wellington Ribeiro

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