A vereadora de Olinda, Eugênia Lima (PT), iniciou uma mobilização para coletar assinaturas de moradores, comerciantes, visitantes e turistas com o objetivo de fortalecer o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o serviço de coleta de lixo no município.
A iniciativa surge diante do acúmulo de resíduos em diversos pontos da cidade, problema que se intensificou desde o início do ano e ganhou grande repercussão durante o Carnaval. Em vários locais, montanhas de lixo foram registradas nos dias de festa. Em algumas situações, foliões chegaram a cair sobre pilhas de entulho acumuladas em calçadas e vias públicas, cenas que circularam nas redes sociais e provocaram indignação.
Durante a mobilização, o mandato da parlamentar está distribuindo panfletos informativos com QR codes que direcionam para um formulário digital. Por meio dele, moradores e comerciantes podem assinar eletronicamente o abaixo-assinado em defesa da CPI e também enviar fotos de pontos onde há acúmulo de lixo em seus bairros.
A meta da campanha é reunir pelo menos duas mil assinaturas. O material será anexado a um dossiê elaborado pelo gabinete da vereadora, que reúne documentos, dados e levantamentos sobre a situação da gestão de resíduos sólidos no município.
De acordo com o documento em elaboração, o sistema de coleta de lixo em Olinda vem enfrentando sucessivas crises desde 2025, alternando períodos de funcionamento parcial com momentos de colapso total do serviço. O levantamento também aponta que, mesmo com planejamento prévio para o Carnaval, o volume de resíduos gerado durante a festa superou a capacidade operacional do sistema regular de coleta, resultando em acúmulo prolongado nas ruas.
Os dados indicam ainda que, no ano passado, o município empenhou cerca de R$ 35,4 milhões para o serviço de coleta de resíduos. No entanto, a taxa de liquidação desses recursos apresentou atrasos ao longo de 2025, gerando passivos que avançaram para o exercício seguinte.
Em agosto de 2025, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) emitiu um alerta apontando uma dívida superior a R$ 2 milhões da gestão municipal com a empresa Central de Tratamento de Resíduos Ltda. (CTR Candeias). A pendência poderia comprometer o direito do município ao recebimento de recursos do chamado ICMS socioambiental.
Segundo Eugênia Lima, embora o orçamento municipal previsse R$ 35,4 milhões para a coleta de lixo em 2025, atrasos nos pagamentos ao longo do ano acabaram acumulando pendências para 2026. O dossiê também aponta impactos ambientais decorrentes da situação, como a obstrução de canais de drenagem e o risco de contaminação de lençóis freáticos.
“Estamos iniciando uma mobilização para ouvir a população e reunir elementos que permitam investigar de forma transparente o que está acontecendo com o serviço de coleta de lixo em Olinda. A abertura de uma CPI é um instrumento legítimo da Câmara para esclarecer responsabilidades e buscar soluções para um problema que afeta diretamente a saúde pública e a qualidade de vida da cidade”, afirmou a vereadora.


























