
A deputada Delegada Gleide Ângelo subiu o tom contra o Estado durante a audiência pública para tratar do Sistema Prisional, que foi promovida pela Comissão de Segurança Pública e Defesa Social da ALEPE, da qual é a vice-presidente.
A reunião contou com a presença dos aprovados, mas não nomeados, do último concurso da Polícia Penal do Estado, além da presidenta do Sindicato dos Policiais Penais do Sistema Penitenciário do Estado de Pernambuco, Márcia Silva, do promotor da Segunda Vara de Execuções Penais, Fernando Galvão, e representantes da Federação Nacional da Polícia Penal, João Carvalho, e da Secretaria de Administração do Estado, Leonardo Bezerra.
Em pauta, um diagnóstico da realidade do sistema carcerário Pernambuco, que, de acordo com o Sindicato da categoria, possui um efetivo com cerca de 2.000 profissionais para uma demanda de de 72 unidades prisionais, entre cadeias públicas, presídios e penitenciárias, e que detém uma população carcerária superior a 30 mil pessoas. O número é irreal quando comparado com a resolução das Nações Unidas que determina que haja um policial penal para cada grupo de cinco detentos.
“O diagnóstico nós já temos e está claro: são chaveiros tomando conta de presídios, policiais penais insuficientes e sem condições de fiscalizar, 70% das guaritas dos presídios vazias, policiais militares com desvio de função, exercendo papel de policiais penais… E por que isso, quando há mais de 600 concursados aptos para começar a trabalhar, com o curso de formação já feito há dois anos??m”, declarou a Delegada, fazendo alusão aos 634 policiais penais aprovados no concurso e já preparados para assumir estes postos vagos — mas que seguem sem previsão de nomeação, apesar da gravidade da realidade da Polícia Penal no Estado.
“O Governo não pode se isentar da responsabilidade. Não tem justificativa nenhuma para vocês (policiais penais aprovados) já não estarem trabalhando há muito tempo. Porque quem está precisando agora são os presídios que já estão aí, em funcionamento. A impressão que tenho é que vocês (policiais penais à espera de nomeação) estão sendo usados como palanque eleitoral. Ano que vem, com os novos presídios, vai se chamar para mostrar ‘olha como tá lindo no meu governo e olha como era no outro’. Isso não existe. O Governo tem a responsabilidade de resolver o hoje e o amanhã. A gente não pode politizar a segurança pública e nenhuma outra política pública”, disparou.

























