
Entre quem conhece o xadrez político de Pernambuco a avaliação tem sido praticamente unânime: o deputado federal Pastor Eurico cometeu um erro estratégico ao deixar o Partido Liberal (PL) para apostar no PSDB.
A decisão, tomada sob orientação do Palácio do Campo das Princesas e embalada pela promessa de apoio para montagem de uma chapa competitiva à Câmara Federal, não se concretizou na prática. Às vésperas do fechamento da janela partidária, o cenário no PSDB é de fragilidade: a legenda não conseguiu arregimentar nomes suficientes para formar uma chapa minimamente competitiva para deputado federal.
Diante desse quadro, aliados relatam que o próprio Pastor Eurico já estaria convencido de que permanecer no PSDB pode representar um verdadeiro “suicídio político”, diante da dificuldade de viabilizar sua reeleição.
Nos bastidores, cresce a informação de que o parlamentar tem cobrado do Palácio o cumprimento do acordo firmado no momento de sua saída do PL. No entanto, diante da inviabilidade da chapa tucana, o próprio governo já teria colocado em prática um “plano B”: tentar realocar Eurico em outra legenda da base aliada.
O problema é que essa alternativa também encontra resistência. As portas estariam praticamente fechadas nas demais siglas governistas, restando como opção mais viável o PSD, partido da governadora Raquel Lyra.
Ainda assim, a alternativa não estaria animando o deputado. Isso porque o PSD já conta com nomes competitivos para a disputa proporcional, como Guilherme Uchôa Júnior e Fernando Monteiro, o que reduziria significativamente suas chances em uma chapa que tende a eleger apenas dois.
Aliado a todo esse desafio, pesa ainda contra o Pastor Eurico a concorrência direta com o pré-candidato Edmilson Tavares (PP) em relação aos eleitores da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Pernambuco, liderada pelo Pastor Ailton José Alves. Cresce dentro da maior denominação evangélica do estado a simpatia ao projeto de Edilson Tavares, prejudicando Eurico que tem na igreja o seu principal reduto eleitoral.
A leitura é direta: ao deixar o PL, Pastor Eurico abriu mão de um partido consolidado e passou a depender de um projeto que não se estruturou. Agora, com o tempo curto e poucas alternativas viáveis, o movimento é visto como um dos maiores equívocos recentes no tabuleiro político estadual.























