
O analista político da CNN Brasil, Pedro Venceslau, avaliou que a permanência de ministros e cargos ligados ao União Brasil e ao Progressistas no governo federal está diretamente ligada à estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2026. Segundo ele, a manutenção de nomes como André Fufuca (Esportes) e Celso Sabino (Turismo) nos ministérios atende a um cálculo político que envolve a formação de apoios futuros no Congresso e na disputa presidencial.
Venceslau destacou que a permanência desses ministros foi discutida com o próprio presidente, que tem interesse em preservar a relação com partidos que hoje integram o chamado centrão. “Por enquanto, o presidente Lula mantém esses dois ministros e mantém também todos os outros cargos indicados pela União Brasil e pelo Progressistas, que passaram pelo crivo de Arthur Lira, pelo PP, e de Davi Alcolumbre, pelo União Brasil”, explicou.
De acordo com o analista, a justificativa apresentada por Lula a interlocutores próximos é que a expectativa é contar, em 2026, com uma parte expressiva desses parlamentares no seu campo político. “A ideia é que boa parte desses parlamentares do União Brasil, do PP ou mesmo do Republicanos e do PSD, em 2026 estejam com o presidente Lula. Uma espécie de dissidência”, relatou Venceslau.
O presidente avalia que há possibilidade de cerca de 30 parlamentares do União Brasil e do Progressistas seguirem votando sistematicamente com o governo e, futuramente, apoiarem sua reeleição. Esse movimento, segundo o analista, se apoiaria especialmente no Nordeste, região onde o PT e seus aliados têm forte desempenho histórico. “É como se o presidente Lula estivesse de olho no centrão nordestino. Porque o presidente Lula tem muita força política na região. Ele venceu as eleições com muita vantagem em relação a Jair Bolsonaro em todos os estados do Nordeste em 2022”, disse Venceslau.
A análise também destacou que, mesmo que esses parlamentares deixem suas siglas durante a janela partidária de 2026, até lá eles seguirão dentro do União Brasil ou Progressistas, o que dificulta qualquer punição. Um exemplo citado foi o do deputado Damião Feliciano (União Brasil), que hoje ocupa a vice-liderança do governo na Câmara. “Ele não vai sair do cargo, ninguém pediu para que ele deixasse o cargo, nem mesmo o União Brasil”, observou Venceslau.























