A pré-candidata ao Senado Marília Arraes voltou a destacar sua atuação em defesa dos direitos das mulheres e anunciou que o enfrentamento ao feminicídio será uma das principais bandeiras de sua campanha. Nas próximas semanas, ela pretende promover uma série de encontros com especialistas, representantes da rede de proteção, lideranças femininas e movimentos sociais para discutir propostas voltadas à prevenção da violência de gênero em Pernambuco.
A iniciativa ocorre em meio à preocupação com os índices de feminicídio no estado. Embora Pernambuco tenha registrado redução de 9,59% nos índices gerais de criminalidade em 2025, os casos de feminicídio cresceram 15,7%, totalizando 88 vítimas fatais e colocando o estado na quinta posição do ranking nacional desse tipo de crime.
Marília defende que o enfrentamento à violência contra a mulher exige compromisso efetivo e políticas públicas permanentes.
“Não adianta ser mulher, falar sobre as mulheres. Tem que ter 100% de compromisso com a vida de todas. Quando um feminicídio acontece, não é apenas uma vida que se perde. Muitas vezes, uma mãe é arrancada de seus filhos, e uma família inteira é destruída”, afirmou.
A pré-candidata também destacou os impactos sociais provocados pelos crimes de feminicídio, especialmente para crianças e adolescentes que perdem suas mães em situações de violência doméstica.
“As consequências são profundas e duradouras. Essas crianças enfrentam traumas severos, dificuldades emocionais, queda no rendimento escolar e, em muitos casos, até o afastamento definitivo da escola. O feminicídio deixa marcas que atravessam gerações”, acrescentou.
Entre os desafios apontados por Marília está a chamada “invisibilidade prévia” dos casos. Segundo dados citados por sua equipe, em 77% dos feminicídios registrados em Pernambuco as vítimas não haviam realizado boletins de ocorrência antes do crime.
Outro ponto destacado é a estrutura de atendimento às mulheres em situação de violência. Atualmente, Pernambuco possui 15 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), mas apenas sete funcionam em regime de plantão 24 horas, concentradas na Região Metropolitana do Recife e em grandes centros urbanos. As demais unidades do interior encerram o atendimento às 18h e não funcionam nos fins de semana.
Além das medidas de segurança pública, Marília relaciona o combate à violência doméstica à autonomia financeira das mulheres. Nesse contexto, ela aponta a ampliação da oferta de vagas em creches públicas como uma política estratégica para permitir maior independência econômica às vítimas.
Entre as propostas defendidas pela pré-candidata estão a universalização do atendimento 24 horas nas delegacias especializadas, a criação de sistemas automatizados de monitoramento de medidas protetivas, o fortalecimento da fiscalização e a destinação de recursos federais para creches e centros de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.
Segundo Marília Arraes, o Senado deve liderar a construção de um novo marco legal de proteção às mulheres, estabelecendo contrapartidas para estados e municípios e ampliando os mecanismos de prevenção e combate à violência de gênero.


























