
Quando o time fica perdido em campo, quando não há diálogo nem toque de bola, quando capitão e técnico não se entendem, não precisa ser nenhum especialista para saber que vai perder de goleada. Situações assim ficam ainda piores quando chega a hora do gol contra, quando parte da equipe parece ajudar mais os adversários do que aliados. Foi o que aconteceu novamente com o governo Raquel Lyra neste sábado (15), que levou “um chocolate” na linguagem do futebol, ao perder as três principais comissões da Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE).
Com a derrota política histórica, a governadora perdeu, de uma só vez, a Comissão de Constituição e Justiça, agora sob a liderança de Alberto Feitosa (PL), a de Administração, comandada por Waldemar Borges (PSB) e a de Finanças, liderada por Antônio Coelho (União). Quando o jogo chega neste nível, nem adianta chamar o VAR, como a governadora tentou fazer mais de uma vez na sua relação com a ALEPE. A derrota tem nome e sobrenome: faltou política. O governo pareceu atordoado e inoperante diante do avanço da oposição e dos partidos independentes. De fato, não sabiam o que fazer com a bola.
A governadora até tentou correr atrás do prejuízo chamando o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União), que foi para oposição pela mais completa falta de diálogo ainda em 2022. Mas recebeu nova negativa pelo histórico da relação política que o seu governo tem deixado a desejarp. O resultado do jogo foi ficando ainda mais claro quando até a líder do seu governo, Socorro Pimentel, também do União, viu o seu partido migrar para a oposição na ALEPE um dia depois de assumir a liderança.
Na Casa Joaquim Nabuco alguns deputados chegaram até externar que assinaturas foram colocadas em um manifesto sem até mesmo o consentimento de alguns parlamentares para tentar reverter um resultado anunciado há muito tempo. A sensação é de que falta intimidade com a bola e com a política. Governar um estado com a dimensão de Pernambuco exige mais jogo de cintura e articulação do que uma câmara de vereadores no Agreste. Quando o time planta desunião, vai colher ingratidão e se afastar cada vez mais da torcida. É bom lembrar que o jogo ainda não terminou. Novas comissões serão votadas na segunda-feira desta semana. Vem aí uma nova derrota por goleada?
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