
A empresa Logo Caruaruense, de propriedade do ex-governador de Pernambuco João Lyra Neto, pai da governadora Raquel Lyra (PSD), deixará de operar até o fim deste mês. A informação foi confirmada pela própria governadora nesta sexta-feira (16), durante entrevista concedida ao Diario de Pernambuco, na reabertura da Igreja de Santo Antônio, no Centro do Recife. As informações são do jornal já citado.
Segundo Raquel Lyra, a empresa já devolveu suas linhas à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI), órgão responsável pela gestão do sistema de transporte intermunicipal no estado. De acordo com a governadora, a EPTI atuará para evitar prejuízos à população e garantir a continuidade do serviço.
“Tomei conhecimento, nesta manhã, que a companhia entregou suas linhas para a EPTI e está encerrando suas atividades. A EPTI vai trabalhar para que não exista prejuízo para população e os sistema continue funcionado, garantindo a segurança jurídica necessária para o serviço seja prestado para as pessoas”, declarou.
A Logo Caruaruense é alvo de denúncias de irregularidades desde 2023, reveladas nesta semana pelo portal Metrópoles. Um relatório técnico da EPTI aponta que os veículos da empresa passaram pela última inspeção em 2022, ano em que Raquel Lyra foi eleita governadora.
Desde então, os ônibus não teriam sido submetidos às vistorias técnicas obrigatórias, que devem ocorrer anualmente. O relatório, registrado em 12 de fevereiro de 2025, teve como objetivo verificar a existência de débitos da empresa junto ao órgão estadual.
De acordo com o documento, a Logo Caruaruense possui 50 ônibus registrados, todos classificados na categoria “Regular”. Nessa condição, a empresa deve arcar com o pagamento das vistorias anuais e do Certificado de Registro Cadastral (CRC), uma vez que não há contrato vigente para a licença de viagem referente a essa categoria.
A EPTI também aponta a necessidade de apuração sobre o uso dos veículos em duas categorias distintas: transporte regular e fretamento. Caso os ônibus estejam sendo utilizados como fretamento, seria necessária a regularização de débitos referentes à taxa de licença de viagem desde janeiro de 2023. O relatório ainda indica a ausência de pagamento das taxas anuais de CRC entre os anos de 2020 e 2022.
Além disso, o órgão afirma que, para a liberação da circulação dos veículos pelos próximos 12 meses, será obrigatória a realização de novas vistorias e a quitação das taxas pendentes.
O caso chegou à Assembleia Legislativa de Pernambuco. O presidente em exercício da Casa, deputado Rodrigo Farias (PSB), cobrou explicações públicas da governadora sobre a situação da empresa.

























