O PSOL Pernambuco se posicionou de forma firme contra a proposta de aumento das tarifas de ônibus do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife. Para o partido, o reajuste está sendo conduzido de maneira apressada, sem diálogo com a sociedade e sem transparência, em meio a um serviço que segue se deteriorando.
Segundo a legenda, a convocação de apenas uma reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano, marcada às pressas e realizada em formato remoto, demonstra desprezo pelo debate democrático por parte do Governo do Estado. O partido avalia que o processo transforma uma decisão de grande impacto social em mera formalidade burocrática, dificultando a participação da sociedade civil e a mobilização popular.
Outro ponto criticado é a ausência da documentação técnica com antecedência. De acordo com o PSOL-PE, a falta de acesso prévio aos dados impede que conselheiros, entidades e a população possam analisar, questionar ou contestar os fundamentos do reajuste, comprometendo qualquer discussão séria sobre o tema.
O aumento proposto ocorre pouco mais de um ano após o último reajuste e, segundo o partido, aprofunda o peso do transporte público no orçamento das famílias trabalhadoras. Para quem vive nas periferias da Região Metropolitana, o transporte coletivo é essencial para acessar trabalho, estudo, saúde, cultura e lazer.
Na avaliação da sigla, o resultado é cruel: trabalhadores e trabalhadoras comprometem uma parcela cada vez maior da renda apenas para se deslocar pela cidade. Isso para utilizar um sistema marcado por ônibus lotados, atrasos constantes, frota envelhecida, falta de acessibilidade, estações de BRT abandonadas, terminais degradados e ausência de informações claras aos usuários.
O PSOL Pernambuco afirma que o governo estadual e os empresários do setor pretendem cobrar mais caro por um serviço que piora ano após ano, sem apresentar qualquer plano consistente de melhoria. Documentos oficiais, segundo o partido, indicariam que todos os custos seguem sendo repassados à população, enquanto os lucros do empresariado são preservados, mesmo diante da precariedade do serviço.
Questões centrais da política de mobilidade seguem sem resposta, como a licitação interrompida do sistema, a renovação da frota, o futuro do BRT e os impactos da privatização do metrô. Para a legenda, o transporte público opera como uma verdadeira “caixa-preta”.
O partido defende que o debate sobre mobilidade urbana não pode se limitar ao reajuste da tarifa, mas deve considerar a renda da população, a qualidade do serviço e o papel do Estado no financiamento do transporte. Embora o aumento possa parecer pequeno, o PSOL-PE destaca que, para quem utiliza dois ou mais ônibus por dia, o impacto é significativo e amplia a exclusão social.
A legenda reafirma sua posição histórica em defesa da gratuidade e da Tarifa Zero, tratando o transporte público como um direito social. O partido afirma que seguirá ao lado dos usuários, dos trabalhadores do sistema e dos movimentos sociais na luta contra o reajuste e por um novo modelo de mobilidade urbana em Pernambuco.


























