
ESCRITO POR WELLINGTON RIBEIRO
A instalação da CPI que vai apurar suspeitas de irregularidades nos contratos de agências de publicidade por parte do Governo, caiu como uma bomba no Palácio do Campo das Princesas. A base governista foi surpreendida não apenas pela agilidade da oposição, mas também pela adesão de parlamentares independentes à iniciativa. Ao todo, foram 19 assinaturas, duas a mais que o mínimo necessário, revelando uma articulação silenciosa, porém eficaz por parte dos parlamentares.
A verdade é que a CPI expõe algo que já vem sendo apontado há algum tempo: a frágil articulação política da atual gestão. A falta de diálogo com a Assembleia Legislativa, aliada à subestimação da capacidade de mobilização dos opositores, criou o ambiente ideal para que a Comissão Parlamentar de Inquérito ganhasse corpo e surpreendesse o Executivo.
Mais do que um movimento pontual, a abertura da CPI acende um alerta no governo. A mobilização por 19 assinaturas não apenas viabilizou esta investigação, mas também pavimenta o caminho para que novas CPIs sejam instaladas, agora com foco nas mais diversas áreas da administração estadual. A depender da disposição da oposição e dos independentes, o governo pode enfrentar uma tempestade prolongada no Legislativo.
A CPI contará com 9 membros titulares e 9 suplentes. Reunindo um conjunto maior de blocos partidários na Casa, é praticamente certo que a presidência e a relatoria ficarão nas mãos da oposição e independentes.
Vale lembrar que, em quase dois séculos de existência, a Assembleia Legislativa de Pernambuco realizou apenas 37 CPIs. E, como diz o jargão político, “todo mundo sabe como uma CPI começa, mas ninguém sabe como termina”. A frase ganha ainda mais força diante de um cenário instável, onde fica claro que o governo perdeu o controle da pauta legislativa.
A depender da condução da comissão e das revelações que possam surgir, esta CPI pode marcar um ponto de inflexão no governo Raquel Lyra.
PRESSÃO – Além da CPI, o governo Raquel Lyra enfrenta outro impasse: 200 pessoas do Movimento Moradia Digna ocuparam o Colégio Americano Batista, no Recife. A maioria é de cidades como Paulista e Olinda, cujos prefeitos são aliados da governadora. O grupo cobra moradia ao Governo, que desapropriou o imóvel em 2023 por R$ 80 milhões para criar um complexo educacional e até agora não fez outra coisa senão deixar o espaço abandonado.
ALICERCE – Liderando um grupo de 11 deputados estaduais, que reúnem os oito do PP, além de Franz Hacker e Danilo Godoy, ambos do PSB), e Romero Sales Filho (União Brasil), Eduardo da Fonte tem sido o verdadeiro responsável por garantir à governadora Raquel Lyra a maioria na ALEPE. Ontem, ele e seu grupo político foram recebidos no Palácio do Campo das Princesas pela chefe do executivo estadual.
AMPLIANDO – De olho na reeleição, o deputado estadual Diogo Moraes (PSB) tem intensificado o diálogo com lideranças da Região Metropolitana do Recife, onde deve anunciar novas adesões em breve, sem abrir mão do fortalecimento de suas bases no interior, sustentadas por uma ampla rede de prefeitos, ex-prefeitos e vereadores.
PÉ NA ESTRADA – Já o deputado estadual Júnior Matuto (PSB), cuja principal base é Paulista, na Região Metropolitana, tem intensificado sua presença no interior para ampliar a votação. Na última semana, visitou os municípios de Afrânio, Exu e Ouricuri.
SERIA DIFERENTE – Em Itamaracá, a sensação geral é de que, se o vice-prefeito Ailton Aguiar estivesse no lugar no prefeito Paulo Galvão, o cenário seria bem diferente. Considerado um quadro promissor, Ailton poderia ter evitado que a Ilha enfrentasse uma gestão sem entregas e sem perspectiva de melhora.
ALGUÉM RESPONDE? – Quais serão os deputados escolhidos para os cargos de presidente e relator da CPI? A expectativa é grande, e os bastidores da Alepe já estão em ebulição.




















