
ESCRITO POR WELLINGTON RIBEIRO – BLOG PONTO DE VISTA
A saída de Gilson Machado do Partido Liberal (PL) expõe mais um capítulo das tensões internas da legenda em Pernambuco e produz efeitos diretos no tabuleiro eleitoral de 2026. O rompimento foi motivado por divergências com o presidente estadual do partido, Anderson Ferreira, e representa uma perda significativa para o PL, especialmente no campo da disputa proporcional.
Embora Gilson Machado tenha manifestado publicamente o desejo de disputar uma vaga no Senado, o cenário político indica que o caminho mais viável para o ex-ministro será a Câmara Federal. Nos bastidores, ele é visto como um nome com forte apelo eleitoral e potencial para atuar como puxador de votos, ativo político estratégico em eleições proporcionais.
A debandada de Gilson enfraquece o PL, que contava com o seu desempenho nas urnas para ampliar a bancada federal. A perda é considerada expressiva, não apenas pelo capital eleitoral do ex-ministro, mas também pelo simbolismo político que ele carrega devido a sua ligação com o ex-presidente Bolsonaro.
Mesmo sem anunciar oficialmente seu novo destino partidário, já é dada como certa, no meio político, a filiação de Gilson Machado ao Podemos, partido comandado em Pernambuco por Marcelo Gouveia. Caso o movimento se confirme, a legenda fortalece ainda mais a sua musculatura e competitividade, com chances reais de eleger uma bancada expressiva para a Câmara dos Deputados, impulsionada pelo desempenho de Gilson.
O episódio remete ao que ocorreu nas eleições de 2022, quando o PL também perdeu uma candidatura com elevado potencial de votos. À época, Clarissa Tércio deixou a legenda, igualmente por divergências com o grupo Ferreira, e migrou para o Progressistas (PP). O resultado foi contundente: Clarissa obteve mais de 240 mil votos, superando com folga o quociente eleitoral e garantindo uma vaga na Câmara Federal.
Agora, Gilson Machado se encontra em situação semelhante. Se repetir nas urnas a força política que demonstra nos bastidores, sua saída poderá se consolidar como mais uma oportunidade perdida pelo PL e um reforço decisivo para a legenda que vier a abrigá-lo.
A SENHA – “Só vou para um partido que apoie Flávio Bolsonaro”, afirmou Gilson Machado sobre a sigla que deve escolher para disputar a eleição deste ano. Ele, que deixou o PL ontem, disse não ter pressa na escolha.
DE SAÍDA – Quem também deve sair do PL é o vereador recifense Gilson Machado Filho. Ele, que pretende concorrer a uma vaga na ALEPE, deve receber uma carta de anuência do partido.
O FILÉ E O OSSO – Apesar de o ex-prefeito Professor Lupércio ter anunciado uma dobradinha com Daniel Coelho em Olinda, nos bastidores o cenário é outro. A maior parte das lideranças ligadas a Lupércio tem demonstrado alinhamento com a pré-candidatura de Juliana de Chaparral, evidenciando um descompasso entre o discurso público e a movimentação interna do grupo.
DESTEMIDO – Quanto mais avançam os relatos de retaliação e tentativas de intimidação contra o deputado estadual Romero Albuquerque, após a apresentação do pedido de impeachment da governadora Raquel Lyra, mais o parlamentar reage em sentido oposto: endurece o discurso e amplia a ofensiva política, demonstrando que não pretende recuar diante das pressões.
NO FORNO – O vice-prefeito de Paulista, Felipe Andrade, está decidido a entrar na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Mesmo ocupando a presidência municipal do PSD, Felipe não deve concorrer pela legenda. O motivo é o conflito interno: o partido abriga a pré-candidatura de Amanda Ramos, filha do prefeito Ramos, com quem o vice rompeu politicamente, tornando a permanência na sigla praticamente inviável.
ARTICULADO – Principal aliado da governadora Raquel Lyra na Mata Sul, o deputado estadual France Hacker reforçou sua presença regional ao viabilizar a entrega de 10 ônibus escolares para os municípios de Rio Formoso, Catende, Cortês, Barreiros, Palmares, Água Preta, Xexéu, Joaquim Nabuco, Sirinhaém, Maraial e Belém de Maria, ampliando sua base política e institucional na região.
ESCALAÇÃO – O jornalista Ricardo Antunes revelou que a governadora Raquel Lyra decidiu recorrer ao ex-marqueteiro do PSB, Raimundo Luedy, para conduzir a estratégia de comunicação de sua campanha à reeleição. Experiente e conhecido nos meios políticos, Luedy já esteve à frente das campanhas de Eduardo Campos, Geraldo Júlio, João da Costa, Marília Arraes e Danilo Cabral. Apesar de já ter acumulando vitórias, o histórico recente do marqueteiro é de derrotas em Pernambuco.
PORTAS ABERTAS – O deputado federal Waldemar Oliveira tem intensificado os elogios e a defesa aberta da reeleição do senador Fernando Dueire. Dema, inclusive, voltou a deixar claro que o Avante segue de portas escancaradas para receber Dueire, sinalizando disposição da legenda em abrigar o senador no projeto eleitoral de 2026.






















