
O uso da estrutura policial com finalidade política, como ocorreu no emblemático caso envolvendo Maria do Socorro dos Santos, guarda semelhanças inquietantes com a investigação que teve como alvo o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro, aliado direto do pré-candidato a governador João Campos. Em ambos os episódios, a atuação de órgãos de segurança levanta questionamentos sobre a instrumentalização do Estado para fins eleitorais.
No caso de Maria do Socorro, episódio que marcou a eleição de 2004, uma das campanhas municipais mais tensas do Recife, três policiais da Casa Militar do Governo de Pernambuco foram detidos armados, em trajes civis e utilizando um veículo com placas frias, quando seguiam o advogado Dominici Mororó, defensor da artesã. À época, Maria do Socorro tornou-se peça central de uma disputa eleitoral acirrada, ao denunciar que foi cooptada pela campanha de Cadoca, aliando do então governador Jarbas Vasconcelos, para prejudicar o então candidato a reeleição João Paulo. Dias semanas depois, Maria do Socorro foi encontrada amarrada em um mangue espancado.
A gravidade do episódio se intensificou quando a polícia encontrou, em poder dos agentes, armas, binóculos, dossiês, material de campanha eleitoral e documentos que autorizavam o uso de placas frias, elementos típicos de práticas de arapongagem incompatíveis com o Estado Democrático de Direito. A repercussão foi imediata. A Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco classificou o episódio como inadmissível e cobrou a atuação da Polícia Federal. Politicamente, o desgaste foi severo: o então candidato Carlos Eduardo Cadoca acabou prejudicado e derrotado nas urnas.
Décadas depois, a investigação envolvendo Gustavo Monteiro reacende o alerta. Assim como no passado, o episódio surge em um ambiente pré-eleitoral e atinge um aliado direto de um dos principais nomes da oposição estadual, alimentando a percepção de que forças de segurança podem estar sendo utilizadas como instrumento de pressão ou intimidação política. Embora os contextos sejam distintos, o padrão — polícia, política e disputa eleitoral — remete a práticas já condenadas pela história recente de Pernambuco.
A prática de espionagem de adversários políticos evoca tempos sombrios da ditadura militar, quando a vigilância ilegal, a arapongagem e o uso do aparato do Estado contra opositores eram métodos recorrentes. O contraste se torna ainda mais simbólico no momento em que Pernambuco vibra com o filme Agente Secreto, obra que denuncia justamente os abusos cometidos durante a ditadura, incluindo ações clandestinas de perseguição e espionagem política. Enquanto o cinema revisita esse passado para que ele não se repita, a realidade política parece insistir em caminhar na direção oposta.
A lembrança do caso Maria do Socorro serve, portanto, como advertência histórica e política: sempre que a polícia é usada como ferramenta de disputa eleitoral, quem perde não é apenas um candidato ou um grupo político, mas a credibilidade das instituições democráticas. E, como mostrou a história, o custo político costuma ser alto para quem aposta nesse tipo de estratégia.
REPÚDIO– João Campos quebrou o silêncio e repudiou o uso da polícia para fins de perseguição política, defendendo que as instituições devem atuar com isenção e responsabilidade, sem interferências de natureza partidária. Para o prefeito do Recife, qualquer tentativa de instrumentalização dos órgãos de investigação representa uma ameaça à democracia e ao Estado de Direito.
CALADO – Embora a “denúncia” apresentada pelo secretário de Defesa Social faça referência à suposta existência de propina no período em que o PT administrava a Prefeitura do Recife, o deputado estadual João Paulo Lima e Silva, ex-prefeito da capital, e aliado da governadora Raquel Lyra, não se pronunciou sobre o conteúdo das acusações. Até o momento, optou pelo silêncio.
NADA CONSTA – Durante entrevista coletiva, o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Alessandro Carvalho, admitiu que a investigação que teve como alvo o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Monteiro, foi concluída sem a constatação de qualquer irregularidade.
REFORÇO – O ex-prefeito de Vicência, Guiga Nunes, anunciou sua pré-candidatura à Câmara Federal pelo Podemos. Sob a presidência estadual de Marcelo Gouveia, a sigla tem atraído quadros com expressivo potencial eleitoral. Com o time que vem sendo montado, Gouveia trabalha para assegurar ao partido uma bancada federal competitiva nas eleições.
MÃOS À OBRA – As intervenções coordenadas pela secretária de Obras e Serviços Públicos de Gravatá, Viviane Facundes, têm transformado o município em um verdadeiro canteiro de obras. A intensa capacidade de trabalho da gestora fortalece seu nome para uma disputa à Assembleia Legislativa de Pernambuco. A expectativa é de que Viviane saia de Gravatá com uma votação expressiva.




















