
Enquanto mais de 700 alunos da rede pública estadual de Pernambuco seguem angustiados com o atraso nas viagens do programa Ganhe o Mundo, a governadora Raquel Lyra volta a deixar o Estado para mais uma agenda internacional, agora em Nova Iorque (EUA). O novo compromisso internacional da chefe do Executivo estadual ocorre menos de dois meses depois de uma viagem ao Canadá, que causou indignação entre estudantes e familiares, já que muitos dos jovens aguardavam embarque exatamente para aquele país e também para os Estados Unidos.
As viagens estavam previstas para acontecer até março, mas foram adiadas por incompetência do governo, que não conseguiu concluir os trâmites necessários para o envio dos estudantes. Sem planejamento e sem transparência, o Estado não deu mais qualquer previsão de embarque. A única medida concreta até agora foi a sanção de um projeto de lei de autoria do vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Rodrigo Farias (PSB), que cria uma excepcionalidade no calendário escolar e garante que os intercâmbios ocorram no início do próximo ano, salvando o Ganhe o Mundo e preservando o direito dos alunos. A proposta foi sancionada por Raquel Lyra na última sexta-feira (9), mas o governo não da nenhuma satisfação aos alunos há meses. Pais e mães seguem sem informação oficial e com receio de que a nova lei não seja respeitada.
Criado pelo ex-governador Eduardo Campos, o Ganhe o Mundo já levou centenas de estudantes da rede estadual para estudar no exterior, promovendo inclusão, aprendizado e novas oportunidades para jovens de todas as regiões de Pernambuco. Em dois anos e cinco meses de governo, no entanto, Raquel Lyra só conseguiu enviar 200 estudantes para o Chile e apenas há pouco mais de um mês. Mesmo essa etapa foi marcada por problemas: os alunos enfrentaram dificuldades para serem matriculados em escolas e para conseguirem casas de família onde pudessem morar.
Enquanto os alunos seguem no Brasil, sem saber se ou quando irão embarcar, a governadora faz as malas para Nova Iorque. Fica o contraste: jovens com o sonho do intercâmbio paralisado, e uma gestão que prioriza viagens ao exterior enquanto falha no básico.

























