Na segunda noite do Festival Rec-Beat, o Cais da Alfândega, no Bairro do Recife, se tornou um caldeirão sonoro onde tradição e reinvenção musical pulsaram em perfeita sintonia com o público. Desde o line-up de artistas, a programação trouxe uma pluralidade de ritmos: do afoxé ao baile black, passando pela fusão entre forró, emocore e funk, além de experimentações do jazz europeu e da música eletrônica africana.
A noite teve início com a DJ GabNaja (PE), representante da cena eletrônica underground recifense, que explorou dissidências sonoras do techno, guaracha, funk e hyperpop. Em seguida, reforçando uma tradição do festival, foi a vez do Afoxé Aganju Aséobá (PE), vindo de Afogados, Zona Oeste do Recife, preencher o palco de percussionistas e dançarinos para traduzir na música a força da cultura nagô.
A noite seguiu com o duo Lander & Adriaan (Bélgica), um dos expoentes da nova cena de jazz europeu. A dupla hipnotizou o público pelo seu estilo singular, batizado de “rave jazz”, uma mescla entre sintetizadores digitais e samples da dance music dos anos 1990.
Em seguida, foi a vez de Getúlio Abelha (CE)atrair uma multidão no Cais da Alfândega para a estreia nacional da turnê do seu novo álbum, Autópsia. Conhecido por produzir um forró eletrônico multifacetado, Getúlio expandiu ainda mais suas pesquisas musicais ao incorporar elementos de bolero, emocore, funk e jersey club às composições. Com uma presença de palco única, o artista entregou uma performance magnética, onde coreografias e a teatralidade do seu balé se tornaram indissociáveis das letras e instrumentais. Um dos ápices do show veio com a participação especial de Johnny Hooker, que, ao lado Getúlio, protagonizou momentos de pura catarse ao dividir o palco em duas músicas.
Após o show, a rapper e DJ Catu Diosis (Uganda) assumiu a pista e trouxe um set marcado por um olhar afrocentrado para a música eletrônica. Além de suas produções autorais, Catu criou um mosaico rítmico repleto de remixes e tracks de artistas femininas do continente africano. Sua apresentação teve o apoio do Consulado Geral da Alemanha no Recife, parceiro do festival nesta edição.
Encerrando a noite, o trio carioca Os Garotin (RJ) subiu ao palco diante de um Cais da Alfândega lotado e ávido por sua estreia no Recife. Recém-premiados no Grammy Latino, eles entregaram um show enérgico ao resgatar a essência dos bailes black com uma roupagem contemporânea. Misturando MPB, rap, rock e soul, o trio viu o público cantar suas composições do início ao fim, enquanto improvisava coreografias sincronizadas seguindo a tradição dos bailes charmes cariocas.


























