
Ex-funcionários do Grupo João Santos ocuparam as galerias da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), durante a sessão desta segunda-feira (16). Eles foram chamar a atenção dos deputados para a situação em que estão passando, depois de serem demitidos sem o pagamento das verbas rescisórias, incluindo salários atrasados, férias, décimo terceiro, FGTS e outros direitos trabalhistas.
Foi a partir de 2015 que os salários dos funcionários de mais de 40 empresas do grupo começaram a ser pagos de forma fracionada. Uma operação da Polícia Federal descobriu um esquema de lavagem de dinheiro comandado por herdeiros do Grupo João Santos. As empresas não recolhiam impostos nem pagavam direitos trabalhistas. Além do seu principal produto, o cimento, o Grupo João Santos atua nos setores de agronegócios, taxi aéreo e comunicação.
Na tribuna da Alepe, o deputado João Paulo (PT) fez um relato do tratamento dado pelo Grupo João Santos aos seus ex-funcionários. O parlamentar lembrou que a construção do grande conglomerado de empresas foi resultado do trabalho árduo de milhares de funcionários, que hoje estão abandonados pela Grupo Nassau. “Nós temos a luta jurídica, que eles estão participando através da ação na justiça, mas está faltando uma ação política maior para denunciar o grupo e cobrar justiça para quem trabalhou a vida toda e tem o direito mínimo de receber as verbas rescisórias”, disse João Paulo.
No grupo que esteve na Alepe, funcionários com mais de 40 anos de serviço na Nassau contaram histórias de dificuldades que estão passando, depois do desligamento da empresa. “Nós fizemos a história do grupo, estamos inseridos no contexto de desenvolvimento da Nassau e hoje passamos por uma situação lamentável”, revela Aloísio Galdino, que trabalhou durante 41 anos no Grupo João Santos.
Rodolfo Luís, 26 anos de Grupo João Santos, relatou que muitos funcionários morreram sem receber as verbas indenizatórias e até hoje as viúvas lutam na justiça para receber os direitos trabalhistas. “Nunca esperei passar por essa situação. Trabalhei durante muitas noites, junto com os companheiros e fomos despedidos sem explicação. Nosso patrão fez uma reunião e sugeriu que nós procurássemos a justiça”, lembrou Rodolfo.
Nas últimas semanas, os ex-funcionários do Grupo João Santos, que não receberam os direitos trabalhistas, fizeram uma série de mobilizações. Nas ruas do Recife, levaram faixas e distribuiram panfletos nos sinais de trânsito. Os ex-funcionários não aceitam o acordo de recuperação judicial proposto pela empresa, que prevê o pagamento de apenas 20% do valor da dívida trabalhista parcelada em 16 anos.
O deputado João Paulo disse que na volta dos trabalhos legislativos, em 2025, uma audiência pública será convocada pela Alepe para discutir a situação dos ex-funcionários do Grupo João Santos. “Além disso, já acionamos a Central Única dos Trabalhadores e nós vamos reforçar a mobilização com o conjunto das demais centrais sindicais no estado”, disse o deputado.

























