
A então deputada Jô Cavalcanti (PSOL) teve atuação decisiva para impedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), em 2022. O colegiado teria o objetivo de apurar supostas falhas da polícia na busca por respostas para o assassinato da menina Beatriz Mota, ocorrido em Petrolina, em 2015. Apesar de apelos da oposição mediante a falta de apenas uma assinatura, a parlamentar se recusou a endossar as investigações.
Jô representava o mandato coletivo Juntas, com atuação ligada à defesa dos direitos humanos. A deputada chegou a ser cobrada publicamente pelo proponente da CPI, deputado Romero Albuquerque, em janeiro de 2022, mas não mudou de posição, mesmo ciente de que o aval dela será suficiente para selar uma vitória na busca por esclarecimentos.
Em fevereiro do mesmo ano, o partido da parlamentar chegou a divulgar uma carta assinada por 447 filiados apelando para que o mandato Juntas endossasse a CPI. No abaixo-assinado, os militantes ressaltaram que a demanda tinha “a aprovação de grande parte dos militantes do PSOL e da sociedade pernambucana” e que era necessário “bom-senso e compromisso com o direto humano de Beatriz Angélica Mota”. Por fim, convocaram Jô e as Juntas a “não se esquivarem frente a uma demanda que vem das ruas”. Ainda assim, não houve recuo da então deputada, o que enterrou de vez a CPI.
O caso vem à tona no dia seguinte a uma postura totalmente diferente da agora vereadora Jô Cavalcanti, que anunciou ter endossado a criação de uma CPI na Câmara Municipal do Recife para investigar decisões administrativas referentes a um concurso da Procuradoria do Recife. Embora já tenha sido esclarecido pela gestão do prefeito João Campos (PSB), o caso vem sendo usado politicamente por vereadores de extrema-direita para atacar a Prefeitura do Recife. Ao assinar o requerimento de criação do colegiado, a psolista se juntou a um rol de 11 vereadores de partidos como PL e Novo, que dão sustentação às pré-candidaturas de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema à presidência da República.

























