conecte-se conosco

Olá, o que você está procurando?

MENU

Opinião

O GOVERNO RAQUEL LYRA: Incapacidade de planejamento e reduzida capacidade de entrega

Wagner Geminiano

Wagner Geminiano
Doutor em História (UFPE)
Pós-doutor em Políticas Públicas de Educação – Ghent University (Bélgica)

OPINIÃO

O governo Raquel Lyra está chegando ao fim de seu terceiro ano. Já é possível caracterizá-lo bem, especialmente do ponto de vista administrativo e da gestão do Estado. Dessa perspectiva, duas marcas se sobressaem: incapacidade de planejamento e reduzida capacidade de execução e entrega. Explico e demonstro a partir de dois exemplos: o programa de construção de creches e a recuperação da PE-60.

Ainda no primeiro ano de governo, Raquel contraiu um empréstimo bilionário e destinou grande parte dele aum ambicioso programa de construção de creches em todo o Estado. Naquele mesmo ano foi lançado o primeiro edital, contemplando 52 municípios. No final do ano passado e início deste ano, veio mais um lote, com pompa e circunstância, anunciando mais 51 creches em igual número de municípios. Recentemente, há cerca de um mês, no périplo que a governadora fez por diversas regiões, anunciou um terceiro lote com 35 novas creches. Seria, de fato, um programa sem precedentes para a educação infantil, construído em regime de colaboração com osmunicípios.

Seria. Pois, apesar de toda a pompa e circunstância, de todos os eventos para assinatura de papéis e anúncios sucessivos, da reunião de prefeitos e autoridades para propagar a grandiosidade do programa, até a presente data não foi erguida uma única creche decorrente deste programa. Ou seja, a governadora lançou um lote atrás do outro sem sequer ter iniciado a execução das primeirasunidades.

O programa foi mal planejado. A modelagem é concentradora, burocrática e demorada. Três secretários de Educação passaram pela pasta sem conseguir tirá-lo do papel. Criou-se um processo licitatório centralizado no Estado, que assumiu o papel de pagador e gerenciador do programa, precisando executar todos os procedimentos legais de habilitação dos 52 municípios contemplados no primeiro lote. Isso se mostrou uma modelagem inconcebível e contraproducente. Um planejamento amador que ignorou algo básico: as diferentes realidades dos municípios pernambucanos – agravado pelo caráter excessivamente centralizador da governadora.

Resultado prático: o Estado vai entrar no último ano do governo Raquel sem ver praticamente nenhuma vaga de creche criada. Se não há creches concluídas, como haverá vagas? Sobrou amadorismo no planejamento e faltou capacidade de execução e entrega. O programa estáreduzido à propaganda e às solenidades de entrega do que ainda não saiu do papel: as vagas de creche.

O segundo exemplo é a recuperação da PE-60, no âmbito do programa Caminhos de Pernambuco. A PE-60 é a rodovia vitrine de Pernambuco para o Brasil e o mundo. É ela que leva os turistas – vindos de diversas partes do país e do exterior pelo aeroporto do Recife, um dos mais movimentados do Brasil – às praias mais famosas do litoral nordestino, de Porto de Galinhas (PE) a São Miguel dos Milagres (AL). Além disso, é rota de escoamento do Porto de Suape e corredor logístico estratégico para o Nordeste.

Mesmo com toda essa importância, as obras na via foram iniciadas às pressas, sem planejamento, no começo deste ano, em plena alta temporada do verão nordestino, provocando engarrafamentos gigantescos e transtornospara os turistas que buscavam as praias do litoral sul de Pernambuco e norte de Alagoas. Em seguida, chegou o período chuvoso, e as obras ficaram paralisadas por quase cinco meses. O pouco que havia sido feito se deteriorou com o inverno. Agora, as obras começam a ser retomadas justamente às vésperas de mais um verão. Resultado prático: falta de planejamento, descaso com uma das principais vias do Estado e demonstração da baixa capacidade de execução da gestão Raquel Lyra. Muito provavelmente, a PE-60 não estará pronta antes do próximoperíodo chuvoso.

Assim, o governo Raquel Lyra entra em seu último ano sem uma marca de governo, sem uma obra estruturante entregue à população. Com muito dinheiro em caixa, inúmeras promessas e solenidades cheias de salamaleques para apresentar programas e obras, faltou o essencial: planejamento. O resultado é a baixíssima capacidade de execução e entrega. O que sobra é propaganda.

Wagner Geminiano
Doutor em História (UFPE)
Pós-doutor em Políticas Públicas de Educação – Ghent University (Bélgica)

Wellington Ribeiro

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Banner Olinda
Banner Jaboatão
Banner Palmares
Banner Ipojuca
Banner Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho
Banner Vitória de Santo Antão
Banner Caruaru
Banner Camaragibe
Banner Gravatá
Banner Condado
Banner Bom Jardim
Banner São Lourenço da Mata
Banner Santa Cruz do Capibaribe
Banner de Escada
Banner Rio Formoso

Você também pode gostar

OPORTUNIDADE

A Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Educação, publicou, no Diário Oficial desta terça-feira (10), o edital de concurso público para o...

ELEIÇÕES 2024

Escrito por Wellington Ribeiro Mantendo a tradição, o Blog Ponto de Vista divulga o tão esperado DATAPONTO RECIFE sobre a disputa por vaga na...

JABOATÃO DOS GUARARAPES

Na primeira pesquisa do Instituto Conecta, encomendada pelo Blog Ponto de Vista, no Município de Jaboatão dos Guararapes, o prefeito Mano Medeiros(PL) aparece na...

OPORTUNIDADE

O prefeito Mano Medeiros anunciou hoje (26), um concurso público para diversos cargos públicos no Jaboatão dos Guararapes, oferecendo um total de 1.582 vagas....

Copyright © 2014 - 2023 Blog Ponto de Vista. Todos os direitos reservados.